Uma carta para ti, da Nina

Olá,

A vida ensinou-me que ser uma mulher forte tem um preço. Desde cedo, percebi que o mundo não gosta de nos ver erguidas, inteiras, sem medo. Mas aprendi também que a voz de uma mulher que não se cala pode estremecer tudo ao seu redor.

A música foi a minha salvação. Quando tudo à minha volta tentava prender-me — o racismo, o machismo, a violência dentro de casa — eu encontrava refúgio nas notas que tocava e nas palavras que cantava. A arte nunca foi só arte para mim. Foi sobrevivência. Foi grito. Foi resistência.

Muitas vezes, o amor veio disfarçado de dor. Disseram-me que uma mulher deve suportar, que faz parte. Mas eu digo-te: não faz. Nenhuma mulher nasceu para ser ferida, para ser silenciada, para viver com medo. O amor não deve doer. O amor deve ser um lugar seguro, e nunca uma prisão. Se alguma vez te disserem que deves aguentar, que és demasiado intensa, demasiado difícil, demasiado livre — lembra-te de que não vieste ao mundo para ser pequena.

A liberdade não nos é dada de bandeja. Temos de arrancá-la, conquistá-la, defendê-la todos os dias. A minha voz tornou-se a minha força, e a minha força tornou-se o meu caminho. E tu, encontras a tua força na tua história, no que já viveste e no que recusas aceitar.

Canta a tua verdade. Grita, se for preciso. Mas nunca, nunca te cales.

Com alma,
Nina

 

E, claro, esta carta é uma criação fictícia no universo dos “rebuliços”. Embora as palavras e os sentimentos aqui expressos possam refletir a essência de Nina Simone, ela nunca escreveu esta carta.

 

Bons rebuliços,

Molly